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terça-feira, 17 de maio de 2016

De volta aos palcos, Novos Baianos fazem show histórico em Salvador


Presente e passado se encontraram na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, na noite desse domingo (15). O show de reencontro com a formação original do grupo Novos Baianos encerrou o festival Eu Sou a Concha, que celebrou a reabertura do espaço. Canções que fizeram parte dos dez anos de trajetória do grupo (entre 1969 e 1979) levaram o público a reações variadas, como em "Dê Um Rolê", terceira canção do show, quando as pessoas cantaram junto dos músicos, aos gritos e aplausos.
É a primeira fez que os Novos Baianos se apresentam desde 2009, quando foram atração na Virada Cultural de São Paulo. A última turnê do grupo aconteceu em 1999, divulgando o álbum "Infinito Circular" (1997).
A socióloga Jaqueline Portela, de 28 anos, era uma delas. Acompanhou quase todas as canções, junto com a banda. O segredo, ela diz, é a admiração pela qualidade das músicas. "Amo essa banda, conheço a obra deles, o show está espetacular, maravilhoso. Quando vi que eles estariam aqui na Concha, com a formação original, quase não acreditei, porque embora não sejam da minha época, eu gosto muito e sei do legado da obra deles que chegou a mim. É espetacular essa oportunidade, estou extasiada", disse a baiana.
Durante a apresentação, o poeta e compositor Luiz Galvão também participou da interação com o público, quando declamou um de seus poemas, em parceria com Moraes Moreira, chamado "Amar-te". Ele é autor ainda de "Acabou Chorare" e"Preta Pretinha".
Também no repertório de Novos Baianos, músicas clássicas que resistiram ao fim da banda e ao tempo em que ficaram afastados. "A Menina Dança""Samba da Minha Terra""Acabou Chorare", "Preta Pretinha", "Mistério do Planeta" se somaram a músicas cantadas em homenagem a João Gilberto, cantor baiano precursor da Bossa Nova, a quem Baby — vocalista dos Novos Baianos — definiu, no palco, de mentor espiritual do álbum Acabou Chorare, lançado pelo grupo, na década de 1970, e considerado o melhor álbum brasileiro de todos os tempos, pela crítica musical.
Na homenagem, Baby cantou "Desafinado" e Moraes Moreira apresentou "Chega de Saudade", pedindo ao público que cantasse junto. Assim, Moreira deixou a segunda parte da música para que a plateia cantasse com a banda, parte considerada emocionante, no show. Em alguns momentos, houve manifestações do público contra o presidente interino da República, Michel Temer, com gritos, faixas e cartazes com a expressão "Fora, Temer".
O aposentado Flávio Carvalho, de 65 anos, também esteve no show e se disse realizado com a oportunidade de ver o grupo, depois de tantos anos. "Foi emocionante, curti muito quando eles estavam na ativa. Vê-los cantando, de novo, me fez relembrar a juventude, foi muito bom", disse o baiano, sorridente e declarando a satisfação de ter assistido à apresentação.

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