Gomes minimiza polêmica com Arsenal, mas diz: 'Hoje, o Tottenham é o maior de Londres'.
Em março deste ano, após o Watford eliminar o Arsenal na Copa da Inglaterra, o goleiro Gomes afirmou que os londrinos atuavam como um time "pequeno" diante dos gigantes ingleses. A declaração repercutiu de forma negativa e os jornais locais divulgaram como uma ofensa aos Gunners. No entanto, o brasileiro acredita que foi mal interpretado na ocasião.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Gomes disse que suas palavras foram "apimentadas" pela imprensa local e explicou melhor a opinião que tem sobre a equipe comandada pelo técnico Arsène Wenger.
"Eu fui mal interpretado na imprensa inglesa no modo como eles passaram. Disseram que eu chamei o Arsenal de time pequeno. Eu nunca falei isso. Eu falei que talvez a maneira como o Arsenal está jogando seria dessa maneira. Eu acho que até pelo fato de eu ter jogado pelo Tottenham, eles quiseram colocar pimenta na entrevista", disse.
Por falar no ex-time, Gomes é firme ao dizer que o melhor time de Londres no momento é o Tottenham. Atualmente, os Spurs ocupam a segunda colocação na tabela do Campeonato Inglês, com 62 pontos - quatro a mais do que o Arsenal. O líder Leicester tem 69.
"Para mim, a melhor equipe de Londres hoje é o Tottenham. Tá fazendo uma grande temporada, uma equipe que não tem medo de jogar. O Mauricio Pochettino montou um time jovem, mas que sai jogando com o goleiro. Algo totalmente diferente do que estávamos acontecendo. Acho que o título está entre eles e o Leicester", destacou.
Durante a entrevista, Gomes também falou sobre o carinho que ainda recebe dos torcedores do Tottenham, analisou o momento do Watford, semifinalista da Copa da Inglaterra, e revelou que pode voltar ao Brasil quando o contrato com o clube inglês acabar.
Por ser o primeiro ano da equipe. Nunca é fácil montar um time competitivo e estamos sento bastante competitivos. Eu cobro muito. É claro que vacilamos bastante em alguns jogos e poderíamos estar em uma posição melhor. Mas, pelo início do trabalho, eu estou feliz. Estamos na semifinal da Copa da Inglaterra. Está um trabalho legal e espero que continuemos na pegada até o final.
Eu acho que estamos muito focados no Campeonato Inglês. Estamos em 13º, mas com possibilidade de terminar entre os 10 primeiros. Acho que seria muito importante para a equipe. O pensamento está em Wembley, na final da Copa da Inglaterra. Esperamos chegar à final, que seria muito importante até para a próxima temporada. A equipe tem condições, até por ter passado por um adversário como o Arsenal.
Nosso foco agora é o Inglês. Estamos trabalhando bastante para terminar o campeonato da melhor forma possível.
O caso Leicester.
Acho que o modo como é feito o Inglês dá possibilidades para as equipes serem competitivas. E é o que está acontecendo com o Leicester. Para muitos é surpresa, mas é uma equipe que está mantendo o nível. Na temporada passada quase caíram e deram uma avançada boa.
Deram sequência para esta temporada. O modo como é feito o Inglês, a maneira como são divididas as cotas de televisão aqui, dão a possibilidade de as equipes serem competitivas, como o Leicester e nós. Isso é fundamental.
Claro que é difícil fazer um elenco como o Manchester City, que tem peças de reposição. O que está acontecendo com o Leicester é que eles quase não têm jogadores machucados na competição. Para mim, não é a melhor equipe em termos técnicos, mas é uma equipe muito objetiva, que sabe o que quer. Tanto que eles venceram muitos jogos. Mas no início do campeonato tomava gols em todos os jogos. Agora aprendeu a defender e ataca com muita velocidade. Isso tem feito a diferença.
Volta ao Brasil.
Eu tenho mais dois anos de contrato com o Watford. Há alguns anos, quando eu estava mal no Tottenham no fim do meu contrato, meu pensamento era voltar para o Brasil e conseguir uma equipe. Hoje não penso assim, ainda pela oportunidade que o Watford me deu. Foi ótimo ajudar o clube a subir.
Sempre tive a vontade de voltar e fazer um, dois anos no Brasil. Não digo encerrar a carreira. A partir do momento que eu ver que estou mal, não quero mais. Meu pensamento era voltar em alto nível e abraçar um projeto de uma equipe. Agora não é meu principal objetivo. Claro que, se acontecer alguma coisa, eu vou pensar com muito carinho e gosto do futebol brasileiro, apesar de muito longe do futebol que eu estou acostumado aqui. É um futebol técnico, que eu tive pouca oportunidade de aproveitar. Com certeza seria uma ótima voltar a jogar no meu país após tantos anos.
O que falta ao futebol do Brasil?
Falta organização, segurança. Estádio cheio. É isso o que falta. Vemos daqui. Em transmissão não perdemos em nada para o Inglês. Mas a organização, a sensação de segurança nos estádios. Saber que você vai e volta com tranquilidade. Quem faz o clube não são os jogadores, são os torcedores. Falta ao futebol brasileiro pensar mais no torcedor, organizar um campeonato para ele. A partir do momento que tem estádio cheio, o patrocinador vai querer entrar, vai ter mais dinheiro, o clube vai poder montar equipes melhores. Organização e carinho com os torcedores. Dentro de campo nós temos jogadores de qualidade e treinadores de qualidade.
Holandês?
Se eu soubesse que não teria tanta chance na seleção brasileira naquela época, com certeza eu teria firmado mais meu pensamento lá. Até pelo carinho que eu tive na Holanda. O coração fala mais alto. Não seria legal jogar pela Holanda e enfrentar o Brasil. Mas talvez naquela época seria uma oportunidade, até pela safra de goleiros na minha época, que era maravilhosa. Marcos, Dida, Julio César, Doni. É uma safra maravilhosa, que não me daria tantas oportunidades enquanto eles estivessem lá. Por isso, pelo carinho do torcedor holandês, se eu tivesse a oportunidade com certeza teria abraçado. Não me arrependo em nada de ter vestido a camisa da seleção brasileira. Queria ter ido mais vezes, mas não é só nossa vontade que vai fazer com que as coisas aconteçam.
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